09/05/2016 às 14h28min - Atualizada em 09/05/2016 às 14h28min

O motorista e o empreendedor

Por Paulo Gontijo* Era quinta-feira, véspera de um feriado. Enquanto o carro percorria a distância de que eu precisava, puxei conversa com o motorista chamado via Uber. Baiano, morando na cidade desde 2005, me contou que era dono de uma corretora de seguros. Eu perguntei o porquê de ele ter começado a dirigir carro por meio do Uber e a resposta foi simples: “Os últimos meses têm sido horríveis. Assim, consigo uma renda extra e não preciso demitir ninguém. O horário é flexível; posso atender os clientes quando tem reunião”. Agradeci, saltei do carro e fui caminhando, pensando no empresário como imagem. Lembrei de quantas vezes eu já escutei gente que nunca “colocou a barriga no balcão” falar da ganância dos empresários e da sua falta de humanidade. Enfim, quantas vezes escutei quem empreende ser tratado como abstração.
“O que une todos os empreendedores é o bom e velho espírito dos mercadores...”
Naquela manhã, estava cristalizada na minha frente a anticaricatura. O sujeito que se criou em uma terra distante, montou seu negócio e foi arrumando as melhores soluções que ele conseguiu para os desafios que a vida trouxe. Empreender era, ali, uma vocação. Não precisava de palco. Não precisava de chancela. Empreendedor era apenas o que aquele homem era. Nos últimos anos, o empreendedorismo tem ganhado relevância como tema. Mais pessoas desejam abrir seus próprios negócios, ser “donas dos próprios narizes” e, por tabela, correr riscos e colher os lucros desse projeto. Hoje, a grande aspiração dos universitários não é o concurso público. Felizmente, está na moda empreender. Como toda tendência, às vezes nos distraímos com o que parece ser interessante e não com o que é de fato. Por isso, é importante resgatar o espírito empreendedor na sua essência. E foi exatamente o que o corretor de seguros/motorista me lembrou: mais que prêmios, perfis impulsionados do Facebook, títulos de universidade ou vídeos motivadores, o que une todos os empreendedores é o bom e velho espírito dos mercadores, aqueles que pegam coisas banais e transformam-nas em algo de valor. Empreender é surpreender, encontrar soluções, encantar e, principalmente, atender uma demanda que muitas vezes as pessoas nem sabem que têm. Só é capaz de fazer isso quem entende claramente o seu propósito e se dedica a ele. Só atende as demandas do outro o empreendedor que não se foca na própria imagem. Para isso, é preciso construir, de dentro para fora, um projeto claro, sem egotrip, e correr riscos. E olhar para o seu negócio, todo santo dia, e pensar em novas formas de atender melhor os clientes. *Paulo Gontijo, empresário e consultor na área de comunicação com foco em educação e política, é especialista do Instituto Millenium.
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