29/06/2016 às 15h09min - Atualizada em 29/06/2016 às 15h09min

Coluna perfil: Professora Berenice Bello

Há muitas décadas a profissão “professor” era uma das mais bem vistas pela sociedade. O educador era tido como uma espécie de patrono do conhecimento, suas opiniões eram ouvidas e seu prestígio junto aos outros era enorme. Hoje em dia sofre com os desrespeitos dos alunos e desvalorização em sala de aula, mas a vocação, estudo e empenho daqueles que amam ensinar se sobressai em meio a tudo isso. Um grande exemplo é a professora Berenice nascida em Santos/SP, 50 anos, noiva, uma filha, formada em Pedagogia com Especialização em deficiência auditiva, na antiga Faculdade do Carmo. Está em Peruíbe há 23 anos. Berenice é vice-presidente do Conselho Municipal de Educação de Peruíbe. Cláudia Dib - Como começou a sua história em Peruíbe? Berenice - Eu frequento a Cidade desde criança, uns seis ou sete anos, pois meus pais tinham sítio aqui em Peruíbe e passávamos os finais de semana por aqui. Naquela época a cidade não tinha nada, as ruas de areia e poucos comércios. O tempo foi passando e depois na Faculdade tive colegas que eram de Peruíbe e foi crescendo a vontade de morar no Município. Cláudia Dib - E o que te fez se apaixonar pela Cidade? Berenice - Não só as praias, cachoeiras, uma gama enorme de recursos naturais e uma grande possibilidade de crescimento, ainda há muito a se realizar na Cidade, é a paixão pelo desafio! Cláudia Dib - Qual o seu primeiro emprego? Berenice - Foi em uma empresa de transportes marítimo em Santos, logo eu me formei em Magistério e fiz Especialização em deficiência auditiva, assim pude realizar o sonho de trabalhar estas crianças. Trabalhei em Miracatu por dois anos, logo depois eu aceitei o desafio na Escola Maria Amélia Capilongo. Cláudia Dib - O que te marcou no tempo de Faculdade? Berenice - No período de Magistério, nós fazíamos muitos trabalhos voluntários com crianças carentes, crianças com HIV, fui voluntária na “Gota de Leite” em Santos, sempre com trabalhos voluntários. Outra coisa que me chamou a atenção foi conhecer uma professora surda e muda, me impressionou a capacidade de comunicação, mesmo impedida de falar, ela fazia-se entender. Esse período foi muito marcante. Cláudia Dib - A inclusão social está acontecendo na prática? Os alunos com necessidades especiais estão tendo acesso ao ensino? Berenice - Ainda falta aceitar o indivíduo como cidadão, mesmo sendo uma criança ele exerce um papel na sociedade, mesmo sendo uma sociedade escolar, e esse papel é de responsabilidade de todos da sala de aula, não somente da professora. É necessário uma conscientização de todos, e isso é muito bem observado na escola, quando os funcionários passam a ter contato com deficientes auditivos e eles aprendem a trabalhar com Libras (Língua Brasileira de Sinais), conseguem se comunicar, quando os funcionários tem contato com deficientes visuais eles aprendem a se comunicar, como guiar, como orientar, de como servir. E podemos observar que todos fazem parte desta sociedade, e isso é o que falta para outros setores. Costuma-se dizer que a inclusão é muito importante para os deficientes, engano. A inclusão é muito importante para todos os indivíduos! A partir do momento que a criança começa a conviver com o “diferente”, ela começa a enxergar a vida de forma diferente, atenta às suas dificuldades e suas possibilidades tudo isso com maior naturalidade. Cláudia Dib - Como você vê o ensino municipal atualmente? E o que pode mudar? Berenice - Acredito que temos muita sorte pelo percurso que a educação passou em Peruíbe, nós temos professores empenhados, altamente qualificados com muitas ideias voltada ao benefício do aluno, independente da crise que estamos passando. Quando a rede abraçou o ensino fundamental do Estado, tivemos um crescimento gigantesco na educação, existiu muitos investimentos na formação dos professores, e muita exigência por parte do seu trabalho, isso fez com que virássemos referência na região. Mas realmente hoje está faltando algumas coisas como manutenção nas escolas, rede elétrica, pintura, equipamentos que foram instalados e nunca funcionaram, equipamentos que estão parados por falta de manutenção, os centros de informática estão parados, as impressoras estão parando e o data show também não funciona por falta de manutenção. O dinheiro da educação deveria ser utilizado na educação, e não ser usado em remanejamentos. Tudo poderia funcionar de forma excelente se o secretário de educação realmente tivesse a autonomia de gerir a pasta. Cláudia Dib - E a Cidade? Berenice - A cidade está muito descuidada, não é mais aquela Cidade alegre e bonita de antes, hoje tem muitos buracos, está muito suja. Antes víamos os matos cortados as guias limpas e pintadas e até os moradores tomavam conta da frente das suas casas, mas, hoje os moradores estão tristes e desmotivados, aí o morador não limpa sua calçada, não pinta o muro, não planta uma árvore e recai tudo em cima da administração.
...para que o sonho do desenvolvimento se torne realidade, depende do esforço de todos nós!”
Cláudia Dib - O que você espera de Peruíbe nos próximos cinco anos? Berenice - Eu tenho muita esperança por Peruíbe, tanto que quero me envolver mais com a Cidade, quero participar mais, quero fazer parte destas decisões, quero participar das melhorias, pois aqui é o lugar que escolhi para morar e envelhecer. Não pretendo sair de Peruíbe! Cláudia Dib - Para fazer parte destas decisões você deve estar envolvida na política. Você tem pretensões? Berenice - Tenho sim! Eu acredito que já passei pela fase de não ligar, achar que não era a minha responsabilidade, já passei pela fase de criticar, achar que tudo estava errado, o que estavam fazendo ou porque não estavam fazendo, já fiz o papel de plateia, apenas acompanhando o que estão fazendo. Mas, com o amadurecimento eu notei posso participar de forma mais ativa, percebi que todos nós podemos fazer parte do processo de alguma forma. Então me coloco a disposição do partido DEM, como pré-candidata à vereadora. Cláudia Dib - Suas considerações finais: Berenice - Eu acredito muito em Peruíbe, acredito em todo o seu potencial como município, mas, para que o sonho do desenvolvimento se torne realidade, depende do esforço de todos nós! Ping-pong: Nascido em: Santos/SP. Algum apelido? Berê. Maior qualidade/defeito: Alegre/teimosa. Qual a sua ideia de felicidade? É o momento em que tudo se encaixa e as coisas acontecem. Pratica atividade física? Dança, Jump, Zumba... movimento! Um local de refúgio? Meu travesseiro. Uma flor: Girassol. Animal de estimação: Gato. Uma lembrança de infância: Mãe! O que te irrita? Ser contrariada. O que você considera a sua maior conquista? A vida que levo! Algum sonho de consumo não realizado? Não! O que toca no seu carro? Tudo, sou eclética. Uma viagem: Itália! Um livro: Harry Potter. Uma frase / pensamento: Se souber educar as crianças, não precisará punir os adultos!
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Fale pelo Whatsapp
Atendimento
Precisa de ajuda? fale conosco pelo Whatsapp