13/07/2021 às 17h39min - Atualizada em 13/07/2021 às 18h20min

Parceria com Unicamp cria programa voltado a pessoas expostas à violência

Esse é um campo científico inovador, que estuda todas as variáveis envolvidas na implementação de uma nova política pública de saúde

DINO
https://www.campinas.sp.gov.br/governo/assistencia-social-seguranca-alimentar/
Equipe da Unicamp envolvida no projeto


Uma parceria firmada entre a Prefeitura de Campinas e a Unicamp tornou possível a criação de um programa voltado a pessoas expostas à violência. Intitulado Napev, sigla de Núcleo de Assistência Psicanalítica para Pessoas Expostas à Violência, a iniciativa, em implantação experimental na região Norte, começou no dia 21 de junho.

“Essa união de forças entre a Unicamp e a Secretaria Municipal de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos de Campinas visa atender uma demanda sensível em nossos serviços. A violência deixa marcas e lutar para superar o trauma é fundamental. É um desafio que demanda medidas para superar essa situação”, afirmou Vandecleya Moro, secretária municipal de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos de Campinas.

De acordo com a chefe do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Rosana Onocko Campos, o Napev é um bom exemplo de como a parceria entre a universidade e o poder público municipal pode contribuir no desenvolvimento e aprimoramento de serviços e políticas públicas em benefício da população.

Responsável pela coordenação da pesquisa desenvolvida com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que resultou na criação do Napev, a docente falou sobre a importância da realização de pesquisas de implementação de serviços e políticas públicas de saúde e assistência.

“Esse é um campo científico inovador, que estuda todas as variáveis envolvidas na implementação de uma nova política pública de saúde, e que envolve desde os profissionais que atuam na ponta dos serviços, como também os usuários e a comunidade local. A partir desses estudos, podemos conhecer as condições às quais as pessoas estão expostas e o que elas esperam de um novo serviço”, explicou a docente.

Além do Napev, a pesquisa coordenada por Rosana Onocko, na Unicamp, também alicerça a Rede de Apoio e Acompanhamento a Pessoas que Trabalham com Usuários Expostos à Violência (Rasev), em que os pesquisadores da universidade deslocam-se até as unidades de saúde para discutir com os trabalhadores locais as dificuldades enfrentadas no dia a dia de atendimento da população.

“Na fase de pré-implementação da pesquisa, durante a realização de grupos focais, os trabalhadores manifestaram, de maneira muito participativa, o desejo de poder contar com um espaço para poderem conversar e também se instrumentalizar no atendimento de pessoas expostas à violência”, destacou Rosana.

Atendimentos

O Napev oferta atendimentos em grupos como estratégia de cuidado a crianças, adolescentes e mulheres expostos indiretamente à violência e que residem na região de Campinas. São grupos de 10 pessoas, com dois grupos na segunda-feira (um psicanalítico com 10 adolescentes e outro de educação em saúde com 10 mulheres) e dois grupos na sexta-feira (um psicanalítico com 10 mulheres e outro de educação em saúde com 10 adolescentes).

Os critérios para ser atendido pelo Napev são: ser adolescente com idade entre 14 e 17 anos, ser mulher com 18 anos ou mais, não estar em acompanhamento psicoterápico regular nos últimos seis meses, não apresentar transtorno mental grave, querer participar de atendimentos em grupo, apresentar sofrimento associado à exposição à violência e ser pessoa exposta indiretamente à violência.

“A psicanálise e a educação em saúde são as abordagens que orientam os atendimentos em grupo. A escolha dos atendimentos grupais se justifica à medida em que nos espaços seguros de escuta a pessoa exposta à violência pode legitimar e elaborar a experiência traumática, que quando narrada e compartilhada, pode ser ressignificada”, explica a psicóloga Alice Andrade, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da FCM, que integra o grupo de pesquisadores coordenados por Rosana Onocko.



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