10/03/2017 às 10h05min - Atualizada em 10/03/2017 às 10h05min

Crônica - Controle Remoto

Por Julio Cesar* Na semana passada, o pastor Silas Malafaia conclamou o povo evangélico a boicotar a Disney pela exibição do primeiro desenho mostrando um beijo homoafetivo entre dois homens. Malafaia classificou como “asquerosa” e “nojenta” a postura da empresa ao decidir apoiar a causa gay nos filmes e desenhos para o público infantil. Esse tipo de sandice não é privilégio tupiniquim. Em 1999, o pastor Jerry Falwell liderou nos Estados Unidos um movimento contra Tinky Winky, o teletubbie roxo do antigo seriado de TV direcionado para bebês e militantes do PSol. A acusação era que ele usava bolsa e tinha um triangulo invertido na cabeça, interpretado como símbolo gay. Para justificar sua atitude homofóbica, Malafaia apelou para a Constituição, para o Estatuto da Criança e do Adolescente e até para a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Foi aí que eu me lembrei de um artigo que escrevi há uns dez anos, quando um diretor adjunto (tinha que ser adjunto) do Departamento de Classificação Indicativa do Ministério da Justiça negou a classificação de “programa recomendado” para crianças e adolescentes ao desenho “Meninas Superpoderosas”. O motivo era que na série, as meninas se encontravam num shopping, o que para ele configurava um comportamento segregacionista, já que nem todos podem fazer compras em shopping, além de ser um estímulo ao consumismo. No texto eu comentava que se fosse para seguir à risca os critérios da tal classificação indicativa por faixa etária, Chapeuzinho Vermelho só seria liberada para maiores de 18 anos, na presença dos responsáveis e após às 23 horas. A narrativa começa com a mãe da Chapeuzinho, que sob o falso argumento de estar cansada, mas na verdade para se ver livre da filha por algumas horas e receber em casa alguns clientes (desajuste familiar, troca de favores sexuais por vantagens pecuniárias e problemas sociais), ordena à indefesa criança que se embrenhe na mata (abuso do pátrio poder) para levar doces (produtos de origem duvidosa, sem inspeção da Vigilância Sanitária) para a vovozinha que, provavelmente, rejeitada pela família (abandono afetivo de idoso), foi morar na floresta em uma invasão de terras, incitada por integrantes do MST. A debilitada macróbia, que não tinha aposentadoria, nem recebia nenhum benefício do governo (exclusão social), acabou presa fácil de um lobo egresso de algum zoológico de segurança máxima. Depois de comer a velha (linguagem chula), o predador depravado, vestiu as roupas da vovó (orientação sexual duvidosa e falsidade ideológica) e se deitou na cama para tentar enganar Chapeuzinho, que, convenhamos, devia ter sérias deficiências cognitivas ou de visão para confundir a avó com o lobo que, ao que tudo indica, também tinha intenções de molestar sexualmente a menina (pedofilia, sedução de menores), não fosse a providencial intervenção de um caçador que derrubou a porta da casa (invasão de domicílio e destruição de propriedade privada) e com um tiro de arma de fogo de uso exclusivo das forças armadas matou o lobo. O final do conto vocês já conhecem, o caçador, preso em flagrante por fiscais do Ibama, cumpre pena por crime ambiental, já que o lobo era de uma espécie silvestre em extinção. *Julio Cesar é Publicitário e Diretor da empresa Pegasus Estratégias de Comunicação
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