23/11/2021 às 12h02min - Atualizada em 23/11/2021 às 12h02min

Investir em mão de obra qualificada é urgente para o país

AEAP
O declínio da qualidade da mão de obra na construção civil, se contrapõe a evolução dos materiais destinados à construção civil ofertados no mercado. Estamos falando sobre obras de médio porte para baixo, um gigantesco universo de obras por todo o país, onde notamos a carência de profissionais especializados.
Nesta situação notamos:
  • Desperdício de material, 
  • Canteiro de obras desorganizado
  • Operários sem uso de EPIs 
  • Não cumprimento de prazos
  • Aumento do custo do serviço


Quando falamos de contratação de mão de obra não qualificada, a dificuldade também reside no relacionamento entre o projeto e a execução, o que pode causar muita tensão e frustração não apenas aos operários, engenheiros e arquitetos, como ao cliente final, que talvez amargue custos e prazos extrapolados. 

Este problema é mais comum do que se imagina e configura numa tendência crescente. Pois, não se vê incentivo do poder publico à qualificação do profissional da construção civil, além da extinção do personagem principal de um canteiro, o mestre de obras.

Fazendo um parêntese é importante relembrarmos do mestre de obras na idade média, quando figurava um dos mais importantes ofícios, o de construir. Era tradição, e a arte de construir constituía a arte por excelência, “a Arte Real, sagrada por natureza” e o mestre gozava de trânsito livre pelos territórios vizinhos, o que permitia que acessasse diversas culturas e técnicas, e reunisse conhecimento para erguer as cidades, catedrais e fortes.  O ensinamento, realizado ‘à luz de velas’, era passado aos seus aprendizes, que o acompanhavam em todas as etapas das obras. Até pouco mais de 30 anos o mestre de obras ainda era visto nos canteiros, o que hoje não se observa mais nas obras de pequeno porte. E sem mestre não há aprendiz.  

Atualmente, as empresas responsáveis pelas obras de grande porte, investem em qualificação de seus funcionários, assim como alguns fornecedores de materiais de construção, essencialmente produtores de tintas, tubos e conexões, que ofertam cursos de manejo dos materiais que abastecem o mercado.
A afirmação de que quando a construção civil está em crescimento significa que o país está bem economicamente é otimista e reflete um real panorama, quando analisados os indicadores do setor. Eis mais um motivo para investimento na qualificação do operário de construção e a necessidade de que este profissional seja mais especializado. 

Sabemos que a despeito da pandemia a construção civil no Brasil continuou em plena atividade e que no primeiro semestre deste ano, foi divulgada a estimava de que 2021 encerraria com aumento da geração de novos empregos na área.

De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a expectativa para este ano é de um aumento de 4% no PIB da construção, o que pode significar a geração de 200 mil novos empregos no setor. E mais, nos primeiros cinco meses de 2021, a construção gerou 156.693 novos postos de trabalho com carteira assinada. Usando como referência os resultados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e do Novo Caged, observa-se que este foi o melhor resultado, para o período, desde 2012.

Por outro lado, nos deparamos com a realidade dos postos de trabalho na construção civil, que povoam a informalidade. O Caged contempla todos os trabalhadores com emprego formal, ou seja, contratados pelo regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e o que dizer daqueles que estão contratados sem vínculo, direitos e deveres, o que dizermos dos trabalhadores “invisíveis” aos bancos de dados?

Podemos afirmar que são muitos e cada vez mais sem suporte de qualificação. Por isso, é imperativa a necessidade de atualização dos cursos de formação, nas ETecs e outros, assim como deveria haver o incentivo para a criação de cursos de formação, de forma acessível e gratuita aos pedreiros e as profissões afins, que podem ser realizados e, ou amparados por programas de instituições de interesse público, tais como o Senai, e Sest-Senat, por exemplos. 

Investir na qualificação, além de elevar a qualidade das obras é garantir o futuro de milhões de brasileiros invisíveis e que, literalmente, constroem o país.
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