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08/03/2017 às 19h17min - Atualizada em 08/03/2017 às 19h17min

Ativista Gladys fala da luta das mulheres pelos direitos civis

Sidney Cley
Da Redação
Gladys Marques, nascida em Mairiporã/SP é uma mulher com grande experiência em liderança comunitária, uma mulher sempre disposta a trabalhar pelo coletivo. Começou sua batalha bem cedo, logo depois do casamento aos dezenove anos de idade tornando-se mãe de três filhos, foi encabeçar um movimento comunitário de reivindicação a uma creche para as crianças da comunidade.

Esta luta pela creche te fez uma líder comunitária? Na verdade esta luta desencadeou para a participação de outros movimentos sociais, como luta por moradia, movimentos sobre violência contra a mulher que nos deu como resultado a primeira Delegacia da Mulher do Parque D. Pedro.
No fim da década de 70 estávamos começando um processo de garantias de direitos, votando e participando efetivamente da sociedade. Era um momento de muita dificuldade, tanto na educação dos nossos filhos em todos os sentidos, pois a educação masculina era a dita correta, tanto na relação, no trato com nossos companheiros, já que ainda eramos vistas como um ser subalterno. Então eu entendi que a luta não era só minha, tínhamos que lutar pela questão da saúde, da educação, da habitação e principalmente pela ampliação dos conhecimentos da própria mulher.

Você citou que a mulher era um objeto subalterno, como você vê as mulheres das comunidades de hoje, elas continuam como um objeto? Nós avançamos bastante, muito se lutou até a conquista da Lei Maria da Penha. Mas, também percebemos um certo retrocesso, a violência contra a mulher voltou e com crescimento alarmante.

O que te trouxe para Itariri? Participando de vários movimentos como o da Criança e Adolescente, foi Conselheira Tutelar Municipal em São Paulo, fui sindicalista durante nove anos e nesta longa caminhada eu conheci meu companheiro que já frequentava e tinha terras aqui em Itariri, aqui construímos nossa casa e após nossa aposentadoria nos mudamos para o município.

Como surgiu a UMOJAQUIA? Quando viemos morar aqui, já havia uma questão com os posseiros e uma comissão voltada a questão dos terrenos no leilão da prefeitura. Nós participamos da Conferência de Assistência Social em todas as instâncias e nos identificamos com as lideranças e sentimos a necessidade de fundir as duas comissões existentes e criar uma Associação em busca de melhorias para o nosso Bairro.
Como você vê a importância da Associação para o bairro? Nosso principal objetivo é lutar e ampliar as políticas públicas no nosso bairro na questão da regulamentação da área, uma vez que o loteamento não está regularizado. O postinho de saúde funciona de forma precária, na questão da educação, nossas crianças precisam de uma escola melhor, melhor equipada, melhor amparada pela administração municipal. Gostaríamos de algum tipo de lazer para os idosos, algum tipo de atendimento para as crianças e adolescentes que ficam por aí a mercê da própria sorte uma vez que não temos escola em tempo integral.
Há uma demanda muito grande de uma creche para crianças de 0 a 5 anos. Temos a necessidade de um transporte coletivo que garanta a mobilidade do bairro ao centro de Itariri e até mesmo para Peruíbe. Na estrutura do bairro há muito o que se fazer, em fim, estas são as carências do bairro.

Os moradores do Jardim Quiles já entenderam a proposta da Associação? Eles são participativos? Entenderem sim, participativos depende. Há momentos em que realizamos uma assembleia e lota a associação, há momentos em que são poucos os presentes. Sabemos que é um trabalho de formiguinha, mas temos a certeza que os moradores sabem da existência da UMOJAQUIA. Eles estão entendendo que este é um movimento apartidário, e as pessoas estão começando a confiar na associação.

...participar do crescimento, do bem-estar da comunidade, é fazer com que o poder público enxergue o indivíduo como cidadão respeitando seus direitos civis e políticos”.


O que te motiva ser uma líder comunitária? Nossa maior motivação é quando vemos a pessoa conquistando o direito de viver com dignidade, é quando alguém consegue sua casa própria através do movimento de moradias, ou quando consegue colocar uma criança na creche, quando você vê uma mulher conseguir estudar, ela foi trabalhar, conseguiu evoluir. É participar do crescimento, do bem-estar da comunidade, é fazer com que o poder público enxergue o indivíduo como cidadão  respeitando seus direitos civis e políticos.
Quais os principais projetos a curto, médio e longo prazo? O principal projeto é transformar a comunidade em uma comunidade ativa onde as pessoas busquem seus direitos e queremos transformar a associação em Utilidade Pública para participar das políticas comunitárias.

Como você vê a Associação e o bairro daqui a 5 anos? Eu acredito que neste tempo tenhamos desenvolvido em vários sentidos, como a regulamentação da área e nossa mobilidade, isso já seria um grande avanço.

E como você vê a participação da mulher nesta luta? A diretoria da Associação é de quase 70% mulheres, a nossa vice-presidente é mulher, normalmente a maioria dos movimentos sociais são encabeçados por mulheres. E outra é que a maior parte da população brasileira é formada de mulheres, mas, com todas as conquistas e evolução que conseguimos, a mulher hoje em dia é chefe de família, ela cuida da casa, ela educa os filhos, cuida do orçamento doméstico, logo ela acaba sentindo a ausência do estado, então isso faz com que ela lute pelos seus direitos.

Qual mensagem você deixa para as mulheres? Que elas não caminhem sozinhas, nunca, elas não estão só! 
 
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