18/02/2021 às 10h19min - Atualizada em 18/02/2021 às 10h19min

Bate-papo com Rafael Vitor

Sidney Cley

Rafael Vitor de Souza, peruibense nascido em Itanhaém, vereador em terceiro mandato, foi presidente da Câmara Municipal de Peruíbe no biênio 2015/16, é presidente do MDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) de Peruíbe e atual presidente da Câmara.

As prerrogativas dos vereadores são condicionadas às ordens de Secretários e do Executivo? Existe Subordinação do Legislativo Municipal face ao Executivo ou condicionamento de prerrogativas em detrimento a relacionamento pessoal ou institucional? É, algumas pessoas têm esta visão mas, isso não acontece, a Câmara é um poder independente e o vereador tem a sua prerrogativa pessoal, decisão pessoal, não há e nem deve haver influência do executivo. O legislativo e o executivo até podem caminhar juntos, mas respeitando a decisão do vereador. Um bom exemplo da força de um vereador, como costumo dizer, é que um vereador cassa um prefeito, já o prefeito não cassa o vereador.

A chuva do dia 18 de janeiro, acarretou inúmeros prejuízos, além da sua força descomunal, os seus efeitos foram visivelmente piorado por não haver na cidade uma política pública de prevenção, é sabido que há o assoreamento dos rios e córregos que cortam a cidade, e isso se agrava mais ainda pela não limpeza das galerias, bem como pela falta total de zeladoria, onde a vegetação (mato) no entorno dos córregos, rios e ruas da cidade. Assim, verificada toda essa situação negativa e a inércia dos poderes até então, poderemos esperar, até que enfim, com essa nova formação da Câmara, que o Princípio Constitucional da Eficiência exista na cidade, pelo menos na zeladoria? Não podemos deixar de observar o tamanho da Cidade e o orçamento apertado que nós temos impedindo que contemple a cidade como um todo, não podemos esquecer que o volume de chuvas nos últimos 10 anos só tem aumentado, é óbvio que a falta de manutenção tende a piorar a situação, mas, atribuo muito a mudança climática, há um problema cultural onde são descartados garrafas pets, sacolas, colchões e até escapamentos de carros jogados nas valas e córregos pelos próprios moradores. Então entendo que há um problema cultural, um problema administrativo e político onde talvez não atenda os anseios da população. Participei de uma reunião com o secretariado, mesmo que tardio para alguns, mas, está sendo elaborado um plano de ação para minimizar esses problemas com as chuvas.

Quanto ao noticiado sobre as determinações da Secretaria de Saúde da cidade face ao poder fiscalizatório do Legislativo Municipal, podemos dizer que haverá alguma nota de repúdio ou não haverá manifestação alguma da Câmara e Presidência? Na verdade nunca houve proibição para visitar prédios públicos, temos que ter certa coerência, estamos falando de uma Maternidade e estamos em pandemia, logo para entrar no local a pessoa tem que estar paramentado, tem que haver todo um preparo para a pessoa poder entrar e visitar as instalações do prédio. Legalmente falando, o vereador tem que agendar. Não é porque ele está vereador, que ele pode entrar sem aviso ou preparações em qualquer departamento, principalmente em se tratando de um local de saúde. Mas não há nenhum tipo de impedimento. Inclusive, há poucos dias houve a visita de seis vereadores, onde todos foram higienizados e paramentados para poder ter acesso a Maternidade, onde visitaram todas as instalações,  fizeram as devidas fiscalizações e saíram a contento. É que tem vereador querendo fazer barulho, oba-oba e o trabalho do vereador não é fazer oba-oba. Não adianta fazer discursos inflamados! O vereador tem que dar resultado para a população. Só com barulho, quem sofre é a população. Respeito a posição do vereador, cada um tem sua forma de trabalho, mas tem que falar menos e agir mais.

Nos últimos quatro anos de mandato, o que mais te marcou?  A interlocução com o pessoal da Segurança Pública é uma bandeira que gosto de destacar. As conquistas que a Guarda Municipal tiveram nos últimos anos, especialmente nos últimos quatro anos, é uma coisa que tem me marcado muito. Temos lutado muito e vamos fazer como no ano passado; vamos montar uma Comissão de Segurança que deve estar sendo instalada no começo do mês. Há muito o que se avançar. E olhando pra trás, não era uma Guarda Municipal, era uma Defesa Social, com todo respeito a quem fez parte naquele momento, mas hoje a realidade é outra com novas viaturas novos equipamentos para a Guarda, a GCM sendo estruturada e preparada. Sei que não é na velocidade que gostaria, mas tenho orgulho de participar deste avanço significativo para o município.

Qual a maior dificuldade de um vereador? Sem dúvida é lidar com a grande expectativa de realizar, de ter um poder maior de execução, o vereador, principalmente os novos, ficam com esta falsa impressão. O vereador na verdade é um elo de ligação entre o povo e o executivo. A população tem mais acesso ao vereador, e aí criamos essa expectativa de realização. A máquina pública é muito morosa. As vezes não conseguimos dar uma resposta tão rápida para a população, nem o prefeito consegue, porque há um entrave burocrático muito grande e nem sempre o prefeito realiza o que ele quer, na velocidade que ele quer. Talvez este seja o maior desafio, que é ter a paciência para entender o time da resolução das coisas.

Como o senhor enxerga as condições de trabalho dos funcionários públicos na área da saúde e as constantes reclamações de falta de insumos? Tenho acompanhado a pasta da Saúde bem de perto até porque sou muito cobrado quanto a isso. Vejo que muito se fala, muito se joga ao ar e nada se comprova. Garanto que não há falta de insumos. Há alguns problemas pontuais, como no recebimento de um paciente, ou um caso isolado de atendimento médico. Mas, tenho averiguado pessoalmente algumas denúncias que temos recebido e posso afirmar que não há falta de insumos. O que acontece é que existe uma disputa política, até internamente. E acredito que em um departamento de saúde, as questões políticas deveriam ser deixadas de lado. E não é o que acontece, infelizmente! Sabemos de situações que são plantadas por funcionários para serem divulgadas nas redes sociais, ou demais mídias para serem vistas como uma coisa negativa. Vejo que tivemos vários avanços. Hoje os médicos vão ao seu plantão e sabem que vão receber. Coisa que num passado não tão distante não acontecia. Sabemos que precisamos melhorar, tenho conversado muito com o prefeito. Sabemos que temos que melhorar a estrutura física da UPA, que é uma questão de emergência. Chega até a ser insalubre. Precisa de pintura, de ar condicionado, é necessário um treinamento melhor aos funcionários para que atendam bem na recepção e uma melhor humanização do atendimento. Sim, ainda existem ajustes a serem feitos, mas temos que dar um passo de cada vez. Estamos honrando com a obrigação dos médicos serem pagos em dia, criando mais confiança e vínculo com a cidade. O que melhora na ponta para o cidadão que vai lá e precisa da UPA e recebe um melhor atendimento. Isso também é resultado do esforço e trabalho da Karina Kramer, coordenadora da UPA, e do Dr. Fausto, coordenador clínico, que fazem de tudo para a coisa acontecer.

Com o aumento do desemprego e da queda da renda das famílias causada pela pandemia do novo coronavírus, o que pode ser feito para tentar salvar o comércio local e os pequenos empresários? Nesta reunião com o secretariado, está sendo montado um plano para fortalecer a questão econômica da Cidade. Como comerciante, também sinto na pele os efeitos econômicos da pandemia. Muito tem se falado em isenção de taxas. Isso pode até ajudar no primeiro momento, mas não será isso que irá salvar o comerciante. O prefeito tem tentado buscar mais linhas de crédito para o pequeno empresário. Creio que devemos aquecer o setor de construção civil, pois é isso que faz girar a roda econômica de uma cidade. O camarada estando empregado vai consumir na cidade, vai fazer a sua compra no mercado e assim girando as demais peças desta grande engrenagem financeira. Acredito que toda a nossa esperança esteja na vacina. Sou adepto da vacina, pois é o maior poder para tirar todos deste “buraco”, quando todos nós estivermos imunizados para voltar a vontade do grande, médio e pequeno investidor fazer novamente seus empreendimentos, abrir seus comércios e fazer com que a coisa realmente progrida.

Quais seus planos para o futuro? Na verdade o futuro ainda é incerto… falando de política em dois anos teremos eleições para Presidente, Governadores, Deputados e Senadores. A partir daí, inicia-se um trabalho político na cidade, já vislumbrando 2024. Mas, acredito ser ainda muito cedo para qualquer especulação. Acabamos de sair de uma eleição e temos que torcer muito para que o prefeito eleito, faça de fato o trabalho que a população confiou a ele — uma continuidade de governo — ele não tem a desculpa de que pegou a cidade endividada. Daqui a dois ou três anos vamos falar sim sobre 2024 e vamos trabalhar para que a cidade volte a sorrir que é o que a gente precisa. Quero agradecer mais uma vez ao jornal a VOZ do Litoral Sul  a oportunidade que me foi dada e parabenizar a Cidade que agora no dia 18 completa 62 anos. E que este aniversário venha a trazer muito desenvolvimento, entendimento das pessoas que estão à frente dos cargos de prefeito, vice-prefeito e secretariado. Que se dediquem ainda mais, que não adianta só vestir a camisa; tem que suar a camisa! E nós fomos eleitos pra isso; para suar a camisa pela Cidade. Parabéns Peruíbe!
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