21/05/2021 às 12h31min - Atualizada em 21/05/2021 às 12h31min

Risco do descontrole da dengue nos Pontos Estratégicos

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As campanhas de conscientização da população para o controle do Aedes aegypti são focadas no cuidado individual de cada imóvel, ou seja, através do serviço de visitas casa a casa o morador é orientado a manter seu ambiente livre de locais que propiciem acumulo de água e que possam servir de possíveis criadouros para o mosquito.

No entanto, existem imóveis que se diferenciam do ambiente domiciliar, são aqueles comerciais ou industriais que pelas suas atividades possuem instalações que oferecem grande concentração de depósitos preferenciais para a desova do Aedes aegypti, conhecidos como pontos estratégicos.
 

Em geral são ferro velhos, borracharias, depósitos de material de construção, serviços de recicláveis, laminadoras de pneus, obras, cemitérios, transportadoras e outros afins. Esses locais são considerados Pontos Estratégicos para o controle do vetor por oferecer um risco maior de proliferação de mosquitos e devem ser identificados, cadastrados e constantemente atualizados, sendo inspecionados quinzenalmente pelas equipes para tratamento.

As ações de vigilância nesses imóveis são indicadas visando tanto conter a infestação, devido ao grande número de depósitos, quanto para evitar a dispersão dos vetores para outros imóveis vizinhos, pois a positividade larvária é maior que a encontrada em imóveis residenciais.

Tais atividades de controle de Pontos Estratégicos são preconizadas pela Política Nacional para Controle de Vetores, sendo essencialmente de responsabilidade do Município, o que requer a formação de equipes especializadas para vistoria, tratamento e acompanhamento periódicos.

Entretanto, diversos municípios não atende ao preconizado pelo Ministério da Saúde, principalmente em grandes centros urbanos onde o número destes Pontos Estratégicos extrapola a capacidade operacional das equipes, se tornando um desafio dos serviços, que enfrentam uma série de dificuldades, como falha na periodicidade por falta de equipe de campo, não envolvimento dos proprietários, falta de ações efetivas de vigilância sanitária e não realização de tratamento químico quando necessário, seja por problemas técnicos, como falta de manutenção em equipamentos, ou falha operacional e até mesmo pela resistência do vetor aos inseticidas ou larvicidas utilizados.

Diante dessas dificuldades os resultados são de fácil observação, sendo comum o número de casos fora de controle e aumento constante dos índices de infestação. Com frequência são observadas atividades comerciais com materiais expostos a céu aberto e sem nenhum tipo de manutenção para eliminação dos riscos de proliferação de vetores.

Esses locais antes de tudo devem estar submetidos as legislações sanitárias básicas que vão além do tratamento que se torna oneroso e impraticável por parte apenas dos serviços de controle de endemias.

Quando as ações de manutenção destes locais, seja por tratamento químico ou manejo do ambiente não estiver acontecendo ou por parte do proprietário ou pelo poder publico, de nada adianta os imóveis próximos realizar limpeza enquanto ali não estão sendo observadas as medidas preventivas, uma vez que esses locais são considerados Pontos Estratégicos exatamente por oferecer um risco muito maior a saúde coletiva.

A negligencia do cuidado quinzenal nestes pontos tanto por parte do proprietário quanto dos órgãos de fiscalização podem custar a vida de pessoas, aumentar os custos do sistema de saúde com a recuperação e qualidade de vida dos pacientes e contribuir para epidemias, sendo que a responsabilização pela proteção da Saúde Pública é exclusivo do Gestor Municipal, podendo sofrer inquérito Civil Público, “pelo deixar de fazer”.

Apesar das dificuldades o que não se pode esquecer é que esta é considerada uma estratégia prioritária, principalmente pelas características do ciclo de vida do mosquito que tem um breve período entre o depósito do ovo pela fêmea até a fase de larva e posteriormente em mosquito, o que pode acontecer em apenas uma semana quando as condições de temperatura são favoráveis, logo, se existem locais com grandes áreas de depósito a céu aberto com quantidades consideráveis de materiais que acumulam água e o clima é quente a população de Aedes aegypti se reproduz rapidamente e em maior número, tendo assim um risco aumentado para casos de doenças por eles transmitidas.

Soma-se a estes fatores de risco ainda se houver pessoas próximas a esses locais contaminadas com um tipo de vírus de dengue ou mesmo outras doenças transmissíveis pelo mosquito.

Portanto se cabe ao Município o controle destes Pontos Estratégicos e o mesmo não tem capacidade operacional para tratamento e acompanhamento quinzenal para garantir a segurança da saúde publica, também cabe a ele buscar alternativas para minimizar os riscos, seja através de aplicação de legislações sanitárias com fiscalização ativa até o envolvimento do Ministério Público, que tem a finalidade de contribuir para a efetivação do direito sanitário.

Ainda neste sentido a população pode participar deste controle informando e denunciando pontos críticos como os acima citados, uma vez que a única forma de prevenção de todas as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti ainda é o cuidado com o ambiente, se torna dever de todos não só cuidar do seu quintal mas certificar se as proximidades de seu domicilio oferecem risco e se estão sendo tratadas de alguma forma, garantindo a segurança da sua comunidade.

Lembrando que os Agentes de Controle de Endemias e os demais profissionais envolvidos nos serviços de Saúde, sejam Agentes Comunitários de Saúde ou Fiscais da Vigilância Sanitária e Ambiental, tem a função de vistoriar, fiscalizar, orientar e aplicar legislações para minimizar os riscos.

Devemos salientar que estes profissionais são responsáveis pela Saúde Publica e não pela limpeza dos locais, cabendo as correções e responsabilização aos proprietários dos estabelecimentos. Saiba mais em Antiprag Litoral.


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